Выбрать главу

— Claro. Logo que acabarmos de abastecer.

— O senhor e toda a sua tripulação sabem que a importação de qualquer arma de fogo para a colônia é estritamente proibida? Ficamos muito nervosos com armas de fogo em Hong Kong.

— Eu também fico, superintendente... em qualquer lugar. É por isso que possuo a única chave do armário das armas.

— Ótimo. Qualquer problema, por favor, fale com o meu gabinete.

Armstrong saiu e passou para a ante-sala, com Svensen à sua frente.

Jannelli observou-o enquanto ele inspecionava o passaporte da aeromoça. Ela era bonitinha, e chamava-se Jenny Pollard.

— Filho da puta — resmungou, depois acrescentou baixinho: — Alguma coisa aqui está cheirando mal.

— Hem?

— Desde quando um figurão do DIC vem verificar as porras dos passaportes? Tem certeza de que não estamos transportando nada de curioso?

— Porra, não. Sempre verifico tudo. Inclusive os estoques de Sven. Claro que não vistorio as coisas de Linc... nem de Casey... mas eles não fariam nenhuma burrice.

— Há quatro anos vôo para ele, e nem uma só vez... Mesmo assim, pode apostar que alguma coisa está cheirando mal. — Jannelli se virou, cansado, e se acomodou mais confortavelmente no assento do piloto. — Puxa, o que eu não daria por uma massagem e uma semana de folga.

Na ante-sala, Armstrong entregou o passaporte ao sargento Lee, que o carimbou.

— Obrigado, srta. Pollard.

— Obrigada.

— Acabou a tripulação, senhor — falou Svensen. — Agora, o Sr. Bartlett.

— Sim, por favor.

Svensen bateu à porta central e abriu-a sem esperar resposta.

— Linc, este é o superintendente Armstrong — falou, com tranqüila informalidade.

— Oi — disse Linc Bartlett, levantando-se da mesa de trabalho. Estendeu a mão. — Quer uma bebida? Cerveja?

— Não, obrigado. Quem sabe um café. Svensen dirigiu-se imediatamente para a copa.

— Vem já — falou.

— Fique à vontade. Aqui está meu passaporte — falou Bartlett. — Vou demorar só um momentinho.

Voltou à máquina de escrever, e continuou a bater nas teclas com dois dedos.

Armstrong examinou-o com calma. Bartlett tinha cabelos avermelhados, olhos azul-acinzentados, um rosto forte e bonito. Esbelto. Camisa esporte e jeans. Armstrong olhou para o passaporte. Nascido em Los Angeles, no dia 1.° de outubro de 1922. "Parece jovem, para quarenta anos", pensou. Carimbo de Moscou, como Casey Tcholok, e mais nenhuma visita à Cortina de Ferro.

Correu os olhos pelo aposento. Espaçoso, toda a largura do avião. Havia um curto corredor central na direção da popa, que dava para duas cabines e dois banheiros. E no final do corredor uma porta que imaginava dar para a suíte principal.

A cabine mais parecia um centro de comunicações. Tele-tipos, telefones internacionais, máquinas de escrever embutidas. Um relógio iluminado marcava as horas numa antepara. Arquivos, copiadora e uma escrivaninha embutida de tampo de couro, coalhada de papéis. Prateleiras com livros. Livros de impostos. Algumas brochuras. O resto eram livros de guerra, e livros sobre generais ou escritos por generais. Às dúzias. Wellington, Napoleão e Patton, Cruzada na Europa, de Eisen-hower, A arte da guerra, de Sun Tse...

— Pronto, senhor — falou uma voz, interrompendo a inspeção de Armstrong.

— Ah, obrigado, Svensen.

Pegou a xícara de café e acrescentou um pouco de creme.

Sven pôs uma lata nova e aberta de cerveja gelada ao lado de Bartlett, pegou a lata vazia e voltou para a copa, fechando a porta atrás de si. Bartlett bebeu a cerveja direto da lata, relendo o que havia escrito, depois apertou uma campainha. Svensen apareceu imediatamente.

— Diga a Jannelli que peça à torre para transmitir isso. — Svensen fez um sinal de cabeça e saiu. Bartlett relaxou os ombros e voltou-se na cadeira giratória. — Desculpe... tinha que mandar aquilo com urgência.

— Tudo bem, Sr. Bartlett. Seu pedido para pernoitar está aprovado.

— Obrigado... muito obrigado. Será que Svensen também poderia ficar? — Abriu um sorriso. — Não sou grande coisa como dono-de-casa.

— Pois não. Quanto tempo seu avião vai ficar aqui?

— Tudo depende da reunião que teremos amanhã, superintendente. Esperamos fazer negócios com a Struan. Uma semana, dez dias.

— Então vai precisar de um local de estacionamento alternativo, amanhã. Temos outro vôo VIP chegando às dezesseis horas. Disse ao comandante Jannelli para ligar para o controle de terra antes das catorze horas.

— Obrigado. O chefe do DIC de Kowloon costuma tratar do estacionamento aqui no aeroporto?

Armstrong sorriu.

— Gosto de saber o que ocorre na minha divisão. É um hábito tedioso, mas arraigado. Não é freqüente termos aviões particulares nos visitando... ou o Sr. Chen vindo receber alguém pessoalmente. Gostamos de agradar, quando possível. A Struan é dona da maior parte do aeroporto, e John é um amigo pessoal. É um velho amigo seu?

— Passei algum tempo com ele em Nova York e Los Angeles, e gostei muito dele. Sabe, superintendente, este avião é o meu cen... — Um dos telefones tocou. Bartlett atendeu. — Ah, alô, Charlie, o que está acontecendo em Nova York?... Puxa, que ótimo! Quanto?... Certo, Charlie, compre o lote todo... É, todas as duzentas mil ações... Claro, logo na segunda de manhã, assim que o mercado abra. Mande a confirmação por telex... — Bartlett largou o telefone e voltou-se para Armstrong. — Desculpe. Sabe, superintendente, este é meu centro de comunicações, e estaria perdido sem ele. Se estacionarmos por uma semana, posso entrar e sair à vontade?

— Temo que isso seja um pouco enrolado, Sr. Bartlett.

— Isso quer dizer sim, não, ou talvez?

— Ah, é gíria para "difícil". Sinto muito, mas nossa segurança em Kai Tak é muito especial.

— Se tiver que destacar mais homens, não me incomodo em pagar.

— É questão de segurança, não de dinheiro, Sr. Bartlett. E vai ver que o sistema telefônico de Hong Kong é de primeira classe.

"Além disso, vai ser muito mais fácil para o Serviço de Informações controlar suas ligações", pensou.

— Bem, se puder conseguir isso, ficaria grato. Armstrong tomou o café.

— É sua primeira visita a Hong Kong?

— É, sim. Minha primeira visita à Ásia. O mais longe que já tinha ido foi Guadalcanal, em 43.

— Exército?

— Sargento, da Engenharia. Construção... construíamos de tudo: hangares, pontes, campos, o que surgisse. Uma grande experiência. — Bartlett bebia direto da lata. — Não quer mesmo uma bebida?

— Não, obrigado. — Armstrong esvaziou a xícara, começou a se levantar. — Obrigado pelo café.

— Agora posso lhe fazer uma pergunta?

— Claro.

— Que tal é Dunross? Ian Dunross, o chefe da Struan?

— O tai-pan? — Armstrong riu francamente. — Isso depende da pessoa a quem perguntar, Sr. Bartlett. Não o conhece?

— Não, ainda não. Vou conhecê-lo amanhã. Na hora do almoço. Por que o chama de o tai-pan?

— "Tai-pan" quer dizer "líder supremo" em cantonense... a pessoa com o poder definitivo. Os chefes europeus de todas as velhas firmas comerciais são todos tai-pans, para os chineses. Mas mesmo entre os tai-pans, há sempre o maior. O tai-pan. A Struan é apelidada de Casa Nobre ou Hong Nobre, e "hong" significa "companhia". Isso remonta ao começo do comércio com a China e aos primórdios de Hong Kong. Hong Kong foi fundada em 1841, no dia 26 de janeiro, para ser preciso. O fundador da Struan e Companhia foi legendário... ainda o é, de certa forma: Dirk Struan. Há quem diga que foi um pirata, há quem diga que foi um príncipe. De qualquer maneira, fez fortuna contrabandeando ópio indiano para a China, depois convertendo o dinheiro em chás chineses que transportava para a Inglaterra numa frota de veleiros chineses. Tornou-se um príncipe mercador, ganhou o título de tai-pan, e desde então a Struan tem sempre tentado ser a primeira em tudo.