Выбрать главу

- 0 senhor é turista?-perguntou Korontzis num tom educado. - Sou -replicou Rizzoli. - Estou de férias. É um belo país. Korontzis encolheu os ombros,

-Parece que sim. -Não gosta disto aqui?

-Oh, claro, que é bonito. Só que avida está muito cara. Estou-me referir aos preços elevados, A não ser que seja milionário, custa muito pôr comida na mesa, especialmente quando se tem mulher e quatro filhos. - 0 seu tom era amargo.

Cada vez melhor.

- 0 que é que você faz, Victor? - perguntou Rizzoli informalmente.

- Sou conservador do Museu Nacional de Atenas. -Ah ? 0 que é que faz um conservador?

Um tom de orgulho insinuou-se na voz de Korontzis.

-Eu sou responsável por todas as antiguidades que são encontradas nas escavações que se fazem na Grécia. -Sorveu a bebida. - Bem, nem de todas. Temos outros museus. A Acrópole e o Museu Nacional de Arqueologia, Mas o nosso museu tem os artefactos mais valiosos.

Tony Rizzoli começou a ficar interessado.

-Muito valiosos?

Victor Korontzis encolheu os ombros.

-A maior parte são de valor inestimável. Há uma lei que proíbe a saída de todas as antiguidades do país, naturalmente. Mas temos uma pequena loja no museu que vende cópias.

0 cérebro de Rizzoli começava a trabalhar furiosamente. - É verdade? E as cópias são boas?

-Oh, são excelentes. Só um perito consegue distinguir entre um fac-símile e o original.

-Deixe-me oferecer-lhe mais uma bebida -disse Rizzoli. -Obrigado. É muito amável. Infelizmente não estou em posição de retribuir.

Rizzoli sorriu.

-Não se preocupe com isso. De facto há uma coisa que você pode fazer por mim. Eu gostava de visitar o seu museu. Parece-me fascinante.

- E é. - Korontzis assegurou-lhe entusiasticamente. - É um dos museus mais interessantes do mundo. Teria muito prazer em mostrá-lo em qualquer altura. Quando é que pode aparecer?

- Que tal amanhã?

Tony Rizzoli teve a sensação de que ia conseguir algo mais do que um otário. 0 Museu Nacional deAtenasfica situado nasimediações da Praça Syntagma, no centro de Atenas. Em si, o museu é um belo edifício construído no estilo de um templo antigo, com quatro colunas jónicas frontais, uma bandeira grega esvoaçando no topo, e quatro figuras talhadas no telhado superior. No interior, os espaçosos halls de mármore contêm depositadas antiguidades de váriosperíodos dahistória da Grécia, e as salas estão cheias de vitrinas com relíquias e artefactos. Há taças de ouro e coroas de ouro, espadas incrustadas e recipientes de libação. Umavitrina pode conter quatro máscaras de inumação de ouro, e outra fragmentos de estátuas com séculos de existência. Victor Korontzis em pessoa oferecia uma visita guiada a Tony Rizzoli. Korontzis parou defronte de uma vitrina que continha a estatueta de uma deusa com uma coroa de papoilas de ópio.

- A deusa da papoila - explicou numa voz reprimida. -

A coroa é simbólica da sua função como a portadora do sono, dos sonhos, da revelação e da morte.

- Que valor teria isso? Korontzis riu-se.

- Se estivesse à venda? Muitos milhões. - É mesmo?

0 pequeno conservador estava cheio de orgulho patente durante a visita, chamando a atenção para os seus tesouros de valor inestimável.

- Isto é a cabeça de um kouros, 530 a.C....

-Esta é a cabeça de Atena com um capacete corintiano, cerca de 1450 a. C.... e eis aqui uma peça fabulosa. Uma máscara de ouro de um Achaean do túmulo real da Acrópole de îvtycenae, do século XVI a. C. Crê-se que seja o Agamémnon.

- Não me diga?

Levou Tony Rizzoli até outra vitrina. Era uma belíssima ânfora. -É um dos meus preferidos-confessou Korontzis, radiante. - Sei que um pai não deve ter um filho predilecto, mas não consigo evitar. Esta ânfora...

-A mim parece-me um vaso.

-Pois... sim. Este vaso foi descoberto na sala do trono durante a escavaçâo em Knossos. Podem ver-se os fragmentos que mostram a captura de um touro com uma rede. Nos tempos antigos, claro, captu ravam os touros com redes para evitarem o derramamento prematuro do seu sangue sagrado, de modo a...

- Quanto é que vale? - Rizzoli interrompeu. -Suponho que cerca de dez milhões de dólares. Tony Rizzoli franziu o sobrolho.

-Tanto?

-É verdade! Lembre-se: veio do Período Minóico Neopalacial, logo depois de 1500 a.C.

Tony Rizzoli passava os olhos pelas dezenas de vitrinas de vidro a abarrotar de artefactos.

-Todas estas coisas têm o mesmo valor?

-Oh, nem pensar. Somente as antiguidades genuínas. -Claro que elas são insubstituíveis, e dão-nos pistas sobre como viviam as civilizações antigas. Deixe-me mostrar-lhe uma coisa. Tony seguiu Korontzis até outra câmara. Pararam em frente de uma vitrina que estava no canto.

Victor Korontzis apontou para um vaso.

- Este é um dos nossos maiores tesouros. É um dos primeiros exemplos do simbolismo dos sinais fonéticos. 0 círculo que vê com a cruz é a figura de Ka. 0 círculo cruzado é uma das primeiras formas inscritas por seres humanos para exprimirem o cosmo. Há apenas... «Estou-me cagando!»

-Quanto vale?-perguntou Tony. Korontzis suspirou.

-0 resgate de um rei.

Quando Tony Rizzoli deixou o museu nessa manhã, fazia contas a um património com que nunca sonhara, nem mesmo nos sonhos mais loucos. Por um fantástico golpe de sorte tropeçara numa mina de ouro. Andara à procura de um otário, e em vez disso encontrara a chave para a casa do tesouro. O lucro da heroína teria de ser dividido por seis. Ninguém era suficientemente estúpido para enganar a Família: mas o corsário das velharias era de novo outra coisa bem diferente. Se contrabandeasse artefactos para o exterior da Grécia, seria um negócio à parte que seria só seu; o bando não esperaria nada disso. Rizzoli tinha todas as razões para se sentireufórico. «Agora tudo o que tenho a fazer», pensou Rizzoli, «é saber como lançar o anzol. Depois preocupo-me com o otário.» Nessa noite, Rizzoli levou o recém-achado amigo ao Mostrou Athena, um clube nocturno ónde o entretenimento era obsceno, e havia recepcionistas eróticas à disposição no fim do espectáculo.

-Vamos engatar duas gajas e gozarum pouco-sugeriu Rizzoli. -Tenho de ir para casa-protestou Korontzis.-Além disso, infelizmente, não posso ter esses luxos.

-Eh, você é o meu convidado. Isto vai para as contas da empresa onde trabalho. A mim não me custa nada.

Rizzoli arranjou as coisas para que umas das raparigas levasse Victor Korontzis ao hotel dela.

-Você não vem?-perguntou Korontzis.

- Tenho um pequeno assunto para resolver aqui - disse-lhe Tony. -Vá à frente. Está tudo tratado.

Na manhã seguinte, Tony Rizzoli passou de novo pelo museu. Havia uma multidão enorme de turistas que percorria as várias salas, maravilhada com os tesouros antigos.

Korontzis levou Rizzoli para o seu gabinete. Ele estava de facto a corar.

-Eu... não sei como agradecer-lhe a noite passada, Tony. Ela.,. foi tudo maravilhoso.

Rizzoli sorriu.

- Para que é que servem os amigos, Victor?

-Mas não há nada que eu possa fazer para retribuir.

-Não disse que estou à espera- disse Rizzoli com veemëncia. - Eu gosto de si. Gosto da sua companhia. A propósito, hoje à noite há uma partidazita de póquer num dos hotéis. Eu vou jogar. Está interessado?

-Obrigado, gostava muito, mas...-encolheu os ombros. -Acho melhor não.

-Venha. Se é por dinheiro, não se preocupe. Eu financio. Korontzis sacudiu a cabeça.

-Você tem sido muito agradável comigo. Se eu perdesse, não lhe podia pagar.

Tony Rizzoli deu um sorriso largo.

- Quem é que disse que você vai perder? Já está ganho. -Ganho? Não... não entendo.

Rizzoli disse calmamente.

-Um amigo meu chamado Otto Dalton é que vai dirigir o jogo. Estão cá uns turistas americanos cheios de massa que adoram jogar, e eu e o Otto vamos levá-los.

Korontzis estava a olhá-lo, com os olhos arregalados. -Levá-los? Está a querer dizer que vai enganá-los?-Korontzis lambeu os lábios. -Eu... nunca fiz uma coisa dessas.