Havia uma reunião de oração naquela noite, e Peter Tager a aguardava com ansiedade. O grupo gostava de ouvi-lo falar sobre religião e poder.
Peter Tager passara a se interessar pelas garotas quando tinha quatorze anos. Deus lhe dera uma libido extraordinariamente forte, e Peter pensara que a perda do olho o tornaria desgracioso para o sexo oposto. Em vez disso, as garotas ficavam fascinadas pela venda. Além disso, Deus concedera a Peter o dom da persuasão, e ele fora capaz de atrair moças hesitantes para o banco traseiro de carros, a celeiros e camas. Infelizmente, engravidara uma das garotas e fora obrigado a casar. Ela lhe dera duas filhas. A família poderia ter se tornado um fardo oneroso, imobilizando-o. Mas acabara se tornando uma cobertura excepcional para suas atividades extracurriculares. Pensara a sério em ingressar no sacerdócio, mas depois conhecera o senador Todd Davis e sua vida mudara. Encontrara uma nova e maior área de atuação. A política.
No início, não houvera problemas em seus relacionamentos secretos. Depois, um amigo lhe dera uma droga chamada ecstasy, e Peter a partilhara com Lisa Burnette, que pertencia à sua igreja em Frankfurt. Alguma coisa saíra errada e ela morrera. Encontraram seu corpo no rio Kentucky.
O lamentável incidente seguinte ocorrera quando Miriam Friedland, secretária de Oliver Russell, tivera uma reação negativa e entrara em coma. Não foi culpa minha, pensou Peter Tager. E não o afetara. Era óbvio que Miriam consumia muitas outras drogas.
E depois viera a pobre Chloe Houston. Ele a encontrara num corredor da Casa Branca, onde ela procurava por um banheiro. A moça o reconhecera no mesmo instante e se mostrara impressionada.
- Você é Peter Tager! Sempre o vejo na televisão!
- Fico contente em ouvir isso. Posso ajudá-la em alguma coisa?
- Eu procurava um banheiro. - Ela era jovem e muito bonita.
- Não há banheiros públicos na Casa Branca.
- Oh, não!
Peter dissera, num tom de conspiração:
- Talvez eu possa ajudar. Venha comigo.
Ele a levara a um banheiro particular no andar superior e esperara na porta.
Perguntara quando a moça saíra:
- Está apenas visitando Washington?
- Isso mesmo.
- Por que não me deixa mostrar a verdadeira Washington? Gostaria de conhecê-la?
Dava para sentir que a moça se sentia atraída por ele.
- Eu... eu bem que gostaria... se não for dar muito trabalho...
- Para uma moça tão bonita quanto você? Não será trabalho nenhum. Começaremos a noite por um jantar.
Ela sorrira.
- Parece emocionante.
- Prometo que será. Mas não deve dizer a ninguém que vamos nos encontrar. Será um segredo nosso.
- Não contarei. Prometo.
- Tenho uma reunião de alto nível com o governo russo no Monroe Arms Hotel esta noite. - Peter percebera que a moça ficara ainda mais impressionada e continuara:
- Podemos jantar depois na Suíte Imperial do hotel. Por que não se encontra comigo ali por volta das sete horas?
Ela acenara com a cabeça, excitada.
- Está bem.
Ele explicara o que ela tinha de fazer para entrar na suíte.
- Não haverá qualquer problema. Basta me telefonar para avisar que já chegou.
E fora o que ela fizera.
No início, Chloe Houston se mantivera relutante. Quando Peter a abraçara, ela protestara:
- Não quero... sou virgem.
O que o deixara ainda mais excitado.
- Não quero que faça coisa alguma que não deseje fazer - assegurara ele. - Vamos apenas sentar e conversar.
- Está desapontado?
Ele apertara a mão de Chloe.
- Claro que não, minha querida.
Ele tirara do bolso um vidro de ecstasy líquido e derramara um pouco em dois copos.
- O que é isso? - perguntara Chloe.
- Serve para aumentar a energia. A nós. - Peter levantara seu copo num brinde e a observara tomar tudo.
- É gostoso - dissera Chloe.
Passaram a meia hora seguinte conversando. Peter esperara que a droga fizesse efeito. Depois, aproximara-se e tornara a abraçar a moça... e desta vez não houvera resistência.
- Tire as roupas - ordenara ele.
- Está bem.
Os olhos de Peter acompanharam-na na ida para o banheiro. Ele também começara a se despir. Chloe saíra poucos minutos depois, nua, e ele se sentira bastante excitado com a visão daquele corpo jovem. Ela era linda. Deitara na cama ao lado de Peter, e fizeram amor. Chloe era inexperiente, mas o fato de ser virgem proporcionara a ele toda a excitação extra de que precisava. No meio de uma frase, Chloe sentara-se na cama, com uma súbita vertigem.
- Está se sentindo bem, minha querida?
- Há... estou bem... apenas me sinto um pouco... ela se apoiara no lado da cama por um momento.
- Volto num instante.
Chloe se levantara. E enquanto Peter observava, ela cambaleara, caíra e batera com a cabeça na quina da mesa de ferro.
- Chloe! - Ele saltara da cama e correra até ela. ChIoe!
Não conseguira sentir qualquer pulsação. Oh, Deus!, pensara ele. Como você pode fazer isso comigo? Não foi minha culpa. Ela escorregou.
Ele olhara ao redor. Não devem encontrar qualquer sinal da minha presença na suíte. Vestira-se depressa, fora ao banheiro, molhara uma toalha, pusera-se a limpar as superfícies de todos os lugares em que poderia ter tocado. Pegara a bolsa de Chloe, tornara a olhar ao redor para se certificar de que não esquecera coisa alguma, descera no elevador privativo para a garagem. A última coisa que fizera antes de ir embora fora limpar as impressões digitais dos botões do elevador. Quando Paul Yerby aflorara como uma ameaça, Tager usara suas ligações para liquidá-lo. Não havia a menor possibilidade de alguém ligá-lo à morte de Chloe.
E depois ele recebera a carta de chantagem. Carl Gorman, o recepcionista do hotel, vira-o na garagem. Peter mandara Sime se livrar de Gorman, alegando que era para proteger o presidente. Isso deveria encerrar o problema.
Mas Frank Lonergan começara a fazer perguntas, e fora necessário liquidá-lo também. Agora, precisava cuidar de outra repórter intrometida. Pois ainda restavam duas ameaças: Marianne Gorman e Dana Evans. E Sime se encontrava a caminho para matar as duas.
Marianne Gorman repetiu:
- Sabe quem é... aquele com a venda no olho. Peter Tager.
Dana estava atordoada.
- Tem certeza?
- É difícil não reconhecer alguém assim, não é mesmo?
Preciso usar seu telefone. Dana foi apressada até o telefone, ligou para Matt Baker. A secretária atendeu.
- Gabinete do sr. Baker.
- Sou eu, Dana. Preciso falar com ele. É urgente.
- Espere um instante, por favor.
Um momento depois, Matt Baker entrou na linha.
- Dana... alguma coisa errada?
Ela respirou fundo.
- Matt, acabei de descobrir quem estava com Chloe Houston na ocasião em que ela morreu.
- Já sabemos disso. Era...
- Peter Tager.
- o quê?! - Um grito.
- Estou com a irmã de Carl Gorman, o recepcionista do hotel que foi assassinado. Carl Gorman viu Tager limpar suas impressões digitais do elevador na garagem do hotel, na noite em que Chloe Houston morreu. Gorman enviou a Tager uma carta de chantagem. Acho que Tager mandou então assassiná-lo. Tenho uma equipe de vídeo comigo. Quer que eu entre no ar com a reportagem?
- Não faça nada neste momento! - ordenou Matt Baker.
- Cuidarei de tudo. Volte a me ligar dentro de dez minutos. Ele desligou e seguiu para a Torre Branca. Leslie estava em sua sala.
- Leslie, você não pode publicar...
Ela virou-se e levantou a prova da manchete: MANDADO DE PRISÃO POR HOMICÍDIO APRESENTADO AO PRESIDENTE RUSSELL.